Das Alegrias I - João Ricardo Wilde Neto


Quando me preparava para fazer a viagem solo ao Atacama, fiz um curso de programação de GPS. O melhor de que tenho notícia, ministrado por João Ricardo Wilde Neto. Foi uma das mais acertadas decisões prévias, pois me permitiu aproveitar ao máximo e com mais segurança os pontos de destaque do destino.
Um bônus do curso foi a amizade do JR (https://www.facebook.com/jrwneto). Além de motociclista de longo curso, é uma pessoa culta, experiente em viagens e leituras.
Por isso, fora do círculo familiar e imediato da edição do livro, foi a única pessoa a quem encaminhei a última prova, já pronta para a impressão.
Fiz isso por dois motivos: primeiro, pela estima que tenho por ele; segundo, porque ele conhece muito bem todos os lugares pelos quais passei e poderia apontar alguma imprecisão da minha memória, especialmente no que concerne à geografia.
Hoje de manhã, ganhei este presente. Não só JR me apontou uma ou outra passagem onde achava que eu poderia usar uma linguagem mais simples, mas ainda me enviou, como quem fala para uma terceira pessoa, suas impressões do livro.
Fiquei especialmente feliz com o fato de que a primeira resenha desse livro tenha sido a manifestação espontânea de um motociclista, na sequência imediata da leitura!
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"A sensação que tive ao ler esse livro foi que o editor chegou ao Paulo e disse: Cara, escreva sua autobiografia, mas use uma viagem de moto para descrevê-la.
E foi exatamente isso que o Paulo fez, com uma maestria incrível e um vai e vem de acontecimentos onde seu leitor ora está sentado na garupa, apreciando ao mínimo os detalhes da viagem e de lá mergulha nas mais incríveis histórias e ramificações da vida, tão bem casadas com o tema, quase impossíveis de perceber que o Paulo desceu da moto e já está viajando com você em outra época e outro lugar totalmente fora da rota original. A volta é tão natural como a ida e novamente você fica sem perceber que o caminho mudou outra vez.
Eu, que também sou um amante do mundo das duas rodas, posso dizer que o que mais me chamou a atenção nesse livro é a maturidade do pensamento na forma que o Paulo se expressa. Apesar de extremamente rico nos detalhes, nomes e números aqui aparecem como secundários, meramente informativos para que o leitor se situe em espaço e tempo enquanto viaja na leitura. Apesar de muito bem detalhados, a parte técnica e o planejamento foram sutilmente colocados de lado, dando espaço a um turbilhão de ações e emoções que compõem essa história.
Ao ler os primeiros capítulos, pode-se ter a impressão de que as estrelas principais da história são a moto e a viagem. Porém a cada novo capítulo do livro você vai perceber que elas são apenas coadjuvantes, meras ferramentas utilizadas pelo Paulo como sua válvula de escape, daquelas que nos fazem entender melhor o sentido da vida e a seguir com amor e alegria.
E fica claro nesse livro que para o Paulo, assim como para mim, a moto é a nossa válvula de escape. Você pode ter talvez outra válvula que independente de qual seja a sua, são as ferramentas motivadoras que nos ajudam a compor nossa vida e quem de fato somos. Cada um tem a sua e a usa como melhor lhe convém.

E nesse livro é exatamente isso que o Paulo faz, conta histórias dentro de uma história onde viaja com sua moto, sua ferramenta, sozinho até o Deserto do Atacama no Chile em 11 mil quilômetros de estrada, conhecendo pessoas, lugares, costumes e histórias desses lugares, transmitidos aqui de uma forma única e espetacular." 


João Ricardo Wilde Neto

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